No ano passado, durante uma época em que me senti presa à criatividade, comprei um caderno simples e despretensioso. Nada sofisticado - apenas uma capa bege macia e páginas grossas e levemente texturizadas. Na época, não percebi a importância que ele teria. No início, eu nem sabia ao certo o que escrever nele. Meu perfeccionismo sussurrava que cada página precisava ser significativa, polida ou pronta para o Instagram. Mas algo me incentivou a começar mesmo assim.
Comecei escrevendo uma frase por dia - apenas uma. Alguns dias era um pensamento que eu não conseguia afastar, uma frase de um sonho ou até mesmo uma preocupação. Em outros dias, era uma pequena vitória: “Hoje pintei por 10 minutos” ou “Fui dar uma volta e notei uma porta azul que nunca tinha visto”. Esse pequeno caderno se tornou um recipiente para tudo o que eu sentia, pensava ou desejava.
Com o passar do tempo, meus registros cresceram. Aquela única frase se transformou em três, depois em cinco, depois em páginas inteiras de ideias, esboços e reflexões. Percebi que havia criado um espaço em que a criatividade não precisava ser boa - ela só precisava ser honesta. E essa pequena mudança mudou tudo. A pressão diminuiu e a diversão voltou. Voltei a me sentir eu mesmo.
Esse caderno se tornou meu refúgio quando os projetos pareciam esmagadores. Ele me fortalecia quando a dúvida surgia. E o mais importante, ele me lembrou que a criatividade começa com a presença - não com a perfeição. Algumas páginas são bagunçadas, outras são lindamente escritas. Mas todas elas são importantes, pois são partes da minha história.
Se você estiver se sentindo bloqueado ou sem inspiração, tente começar seu próprio “caderno imperfeito”. Sem expectativas, sem regras. Apenas um lugar seguro para os pensamentos. Você pode se surpreender com a quantidade de inspiração que se esconde na simplicidade.
Às vezes, tudo o que você precisa é de uma página em branco e permissão para ser imperfeito.